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JORGE LUIS DA SILVA COSTA

Artigo apresentado à Universidade Vicentina como requisito parcial para obtenção do título de Pós-Graduação em Acupuntura e Eletroacupuntura.
 
Orientador: Mestre Sérgio Soares
Macaé/RJ


Resumo:
            A paralisia facial periférica (PFP) é a neuropatia craniana aguda mais comum entre os pares cranianos, caracterizando-se por uma lesão do nervo facial.
Afeta a musculatura mímica da face, como também, a audição, glândulas salivares e lacrimais.Afeta ambos os sexos; as hemifaces são acometidas com a mesma frequência;a incidência é maior após 70 anos e menor em indivíduos com menos de 10 anos.Este estudo teve por objetivo acom­panhar a evolução de um paciente com paralisia de Bell, submetido ao tratamento com acupuntura. Foi observado que é preciso a realização de ensaios mais detalhados com amostras expressivas para se deduzir algo sobre os efeitos da acupuntura nesta patologia.
Introdução:
            O corpo humano apresenta diversas maneiras de expressar suas vontades, seja pela fala, por gestos ou até mesmo pela expressão facial. A face humana é parte essencial da comunicação humana e sua atuação depende de uma serie de músculos que são regidos por um sistema nervoso bem complexo.A mímica facial é fundamental para a expressão e comunicação humana, que são possíveis apenas através da integridade do nervo facial. Sendo assim, a paralisia facial periférica (PFP) pode deixar sequelas estéticas, funcionais e psicológicas.1-3
O nervo facial é o que mais sofre paralisia no corpo humano devido ao seu longo percurso que passa através de um canal estreito, aque­duto de Falópio, e apresenta várias mudanças de direção, desde o tronco cerebral até a periferia.A paralisia facial periférica (PFP) é considerada a neuropatia craniana aguda mais comum e se caracteriza por uma lesão no nervo facial em todo o seu trajeto ou parte dele, sendo quase sempre unilateral.2
            Os objetivos deste trabalho são coletar evidências científicas, realizando uma revisão literária, para verificar a eficácia da Acupuntura como terapia complementar no tratamento das paralisias faciais e dessa forma, identificar os pontos de Acupuntura usuais e eficazes para o tratamento específico.4
Materiais e Métodos:
            Em Agosto de 2014, a paciente R.G.O, de 81 anos, foi encaminhada por um médico neurologista com diag­nóstico de paralisia facial periférica idiopática para o tra­tamento com acupuntura. Paciente relatou que chegou à casa com o rosto “desalinhado” e no decorrer do dia  apre­sentou dor ao redor da orelha esquerda e na região occipi­tal.
            Após três dias, a paciente iniciou o tratamento com acupuntura.Foi observada assimetria facial a esquerda com paresia dos músculos, desvio de comissura labial para a direita, redução da linha naso-geniana, hiperacusia à esquerda, olho esquerdo irritado e lacrimejante, com discreto lagof­talmo e quando se alimentava ou ingeria líquido, referia dificuldade em manter o alimento na boca, bem como em perceber o sabor dos alimentos.
            O tratamento é direcionado a dispersar vento, clareando os canais e regularizando o Yin e Yang. Manipulação balanceada de tonificação-sedação pode facilitar a circulação do Qi e fortalecer a resistência do corpo para influências patológicas do vento calor. A proposta terapêutica foi: VG 26, F3, VB20, VB3, TA 23, TA 22, E7, E5, E3, E2 e IG4, todos estes utilizados bilateralmente com a duração de 20 minutos.
Resultados:
            Em relação à queixa da paciente, obteve-se um resultado de totalmelhoria. Ao final do tratamento (dez atendimentos), a paciente apesentava simetria e tônus normais ao repouso, com uma leve fraqueza, notável apenas à inspeção próxima. Em movimento apresentava simetria na boca. Diante da reavaliação dos testes de função muscular, houve melhora significativa dos músculos frontal, orbicular dos olhos e mentoniano.
Discussão
            Nas lesões nervosas periféricas, o conhecimento do tipo de lesão permite estimar o prognóstico de recupera­ção. A finalidade do tratamento “ao oposto” entre o lado direito e o lado esquerdo é harmonizar o Qi dos dois hemicorpos, fortalecento o lado sadio para que o Qi correto possa passar desse lado para o lado doente e assim, poder expulsar o Qi perverso. Esta Técnica é particularmente utilizada nas manifestações agudas.2Entretanto, a escolha dos pontos visava àmovimentação do nosprincipaismeridianos acometidos.
            O grau da recuperação do nervo facial depende da idade do paciente, do tipo da lesão, da alimentação do nervo, do desenvolvimento neuro­muscular e do início da terapia. Essa recuperação pode levar desde algumas semanas até quatro anos.4
Conclusão
            Neste estudo, foi possível observar que na PFP ocorre uma lesão nervosa que segue uma sequência na­tural de eventos neurofisiológicos, desde o início até a máxima recuperação. Apesar de haver vários estudos demonstrando os benefícios da acupuntura na PFP e de ter havido uma boa recuperação da paciente deste estudo num curto período de tempo, não se pode chegar a conclusões mais sólidas a respeito desta questão, uma vez que se trata de apenas um caso, sendo preciso a realização de ensaios mais detalhados com amostras expressivas para se deduzir algo sobre os efeitos da acupuntura nesta patologia.
Referências Bibliográficas:
1 – Amorim, FTR. Paralisia facial periférica: Tratamento através da acupuntura e fisioterapia. CITE. Recife, 2007.
2 – Barros, HC; Barros, ALS; Nascimento, MPR.  Uso da acupuntura na paralisia facial periférica: Estudo de Caso.UFPE. Recife, 2011.
3 – Silva, IHB; Lopes, TH. Paralisia Facial Periférica de Bell: Atualização do Tratamento. Universidade Severino Sombra.Revista de Saúde, Vassouras, v. 3, n. 2, p. 40-48, jul./dez., 2012
4 – Rosa, MCP; Moreira, AFM; Comparação dos resultados da fonoterapia e fonoterapia associada à acupuntura na paralisia facial periférica.Rev. CEFAC. 2010 Jul-Ago; 12(4):579-588
5 – Kodama, CM. Paralisia Facial. UEP. Botucatu, 2003.
6Maciocia G. A prática da medicina chinesa. São Paulo: Roca; 1996.
7 – Maciocia G. Diagnóstico na medicina chinesa. São Paulo: Roca; 2005.
8 – Maciocia G. Os fundamentos da medicina chinesa: um texto abrangente para acupunturistas e fitoterapeutas. 2ª ed. São Paulo: Roca; 2007.
9 –Junying, G; Wenquan H; Yongping S. Selecionando os pontos certos de acupuntura: Um manual de acupuntura. São Paulo: Roca; 2005.

 

10 – Yng, JS; Cheng JW. Manual prático de caraniopuntura. São Paulo: Roca; 2005

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